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Ufam e Adua repudiam ofensiva de vereador contra estudantes; reitoria apura caso

Instituições repudiaram ação do vereador do PL contra estudantes; parlamentar afirma ter sido alvo de hostilidade no campus

Waldick Junior
06/05/2026 às 16:34.
Atualizado em 06/05/2026 às 16:34

(Foto: divulgação/Juventude Manifesta AM)

A Universidade Federal do Amazonas e a Associação dos Docentes da Ufam repudiaram a ofensiva do vereador Coronel Rosses (PL) contra estudantes da instituição, ocorrida na terça-feira (5). O caso também gerou reações de entidades e políticos de diferentes espectros ideológicos.

O episódio ocorreu após estudantes recriarem um mural com cartazes contendo críticas a políticos nacionais e internacionais, além de mensagens em defesa de pautas como luta antirracista e cotas para pessoas trans. O mesmo espaço havia sido vandalizado, na semana passada, por ativistas ligados ao PL, segundo relatos da comunidade acadêmica.

Em nota, a Ufam informou que abriu apuração administrativa para identificar os envolvidos e analisar possíveis condutas que desrespeitem a integridade institucional e a dignidade da comunidade universitária.

“A apuração administrativa focará na identificação dos responsáveis e na análise de condutas que desrespeitem a dignidade humana ou que atentem contra a integridade institucional e o patrimônio da universidade”, afirmou a instituição.

A universidade também declarou que irá preservar o direito à livre manifestação e destacou que acionará as autoridades competentes diante de eventuais violações.

“A nossa prioridade é a segurança e a integridade de todos os membros da nossa comunidade. A liberdade de pensar e de expressar opiniões de forma respeitosa é o pilar da nossa universidade e não permitiremos que ela seja fragilizada por atos de intolerância”, destacou a nota.

Solidariedade ao professor

Em manifestação pública, a Adua também repudiou o episódio e manifestou solidariedade ao professor do Departamento de Ciências Sociais, Luiz Antônio Nascimento de Souza, que aparece em vídeos questionando o vereador sobre os motivos da visita ao campus e acusando-o de intimidar estudantes e servidores.

A entidade relembrou ainda o ato de vandalismo registrado no último dia 25 de abril, quando cartazes políticos expostos na universidade foram destruídos por ativistas de extrema direita que, posteriormente, acompanharam o vereador na visita à instituição.

“Ataques dessa natureza ferem os direitos da inteligência, da liberdade de pensamento e de sua expressão política, sem o que é impossível garantir e ampliar o processo de democratização na universidade e na sociedade”, afirmou a associação.

Outro lado

Após o episódio, Coronel Rosses divulgou nota afirmando ter sido alvo de hostilidade, intimidação e tentativas de cerceamento de liberdade durante a visita ao campus da Ufam.

“No exercício de suas funções fiscalizadoras e movido pelo espírito democrático, o vereador foi recebido por um grupo de manifestantes que, de forma agressiva e organizada, o cercaram e proferiram ofensas pessoais, chamando-o de ‘canalha’ e tentando impedir sua livre circulação”, diz trecho da nota.

O parlamentar também criticou cartazes expostos no local, citando frases como “Direita não entra na Ufam”, “Seja marginal, seja herói” — referência à resistência civil durante a ditadura militar — e “Morte ao Nikolas Ferreira”.

“O vereador Coronel Rosses reitera que não se deixará intimidar por gritos de ordem, ameaças ou tentativas de silenciamento. O seu compromisso é com a liberdade, com o direito de ir e vir e com um Amazonas onde o respeito prevaleça sobre o ódio partidário e a violência cega”, conclui a nota.
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