Instituições repudiaram ação do vereador do PL contra estudantes; parlamentar afirma ter sido alvo de hostilidade no campus
(Foto: divulgação/Juventude Manifesta AM)
A Universidade Federal do Amazonas e a Associação dos Docentes da Ufam repudiaram a ofensiva do vereador Coronel Rosses (PL) contra estudantes da instituição, ocorrida na terça-feira (5). O caso também gerou reações de entidades e políticos de diferentes espectros ideológicos.
O episódio ocorreu após estudantes recriarem um mural com cartazes contendo críticas a políticos nacionais e internacionais, além de mensagens em defesa de pautas como luta antirracista e cotas para pessoas trans. O mesmo espaço havia sido vandalizado, na semana passada, por ativistas ligados ao PL, segundo relatos da comunidade acadêmica.
Em nota, a Ufam informou que abriu apuração administrativa para identificar os envolvidos e analisar possíveis condutas que desrespeitem a integridade institucional e a dignidade da comunidade universitária.
A universidade também declarou que irá preservar o direito à livre manifestação e destacou que acionará as autoridades competentes diante de eventuais violações.
“A nossa prioridade é a segurança e a integridade de todos os membros da nossa comunidade. A liberdade de pensar e de expressar opiniões de forma respeitosa é o pilar da nossa universidade e não permitiremos que ela seja fragilizada por atos de intolerância”, destacou a nota.
Em manifestação pública, a Adua também repudiou o episódio e manifestou solidariedade ao professor do Departamento de Ciências Sociais, Luiz Antônio Nascimento de Souza, que aparece em vídeos questionando o vereador sobre os motivos da visita ao campus e acusando-o de intimidar estudantes e servidores.
A entidade relembrou ainda o ato de vandalismo registrado no último dia 25 de abril, quando cartazes políticos expostos na universidade foram destruídos por ativistas de extrema direita que, posteriormente, acompanharam o vereador na visita à instituição.
Após o episódio, Coronel Rosses divulgou nota afirmando ter sido alvo de hostilidade, intimidação e tentativas de cerceamento de liberdade durante a visita ao campus da Ufam.
“No exercício de suas funções fiscalizadoras e movido pelo espírito democrático, o vereador foi recebido por um grupo de manifestantes que, de forma agressiva e organizada, o cercaram e proferiram ofensas pessoais, chamando-o de ‘canalha’ e tentando impedir sua livre circulação”, diz trecho da nota.
O parlamentar também criticou cartazes expostos no local, citando frases como “Direita não entra na Ufam”, “Seja marginal, seja herói” — referência à resistência civil durante a ditadura militar — e “Morte ao Nikolas Ferreira”.