OPINIÃO

A revelação de um político canalha tem utilidade

Um candidato a dirigir o País que tem na plataforma de propostas mudar a lei para legalizar o trabalho infantil é uma ameaça

Ivânia Vieira
06/05/2026 às 11:42.
Atualizado em 06/05/2026 às 11:42

Romeu Zema, filiado ao Partido Novo, é pré-candidato à Presidência da República (Dirceu Aurelio / Imprensa MG)

A entrevista do pré-candidato à Presidência da República, ex-governador Romeu Zema (Novo-MG), no dia 1º de maio, ao podcast “Inteligência Ltda”, quando defendeu o trabalho infantil tem um dado importante: revelar a postura canalha desse político.

A importância da revelação é porque escancara o que pensa e o que pretende estimular, no caso de ser eleito e, desse modo fazer a aliança nacional da perversidade nesse e em outros tópicos. É relevante sabermos quem o segue. 

A exploração de crianças e adolescentes no Brasil e em outros países é uma das nódoas da humanidade, do empresariado e de outros núcleos, incluindo familiares. Trabalho realizado por crianças análogo à escravidão geram lucros a alguns setores que ignoram a legislação e insistem nos atos criminosos.

Um candidato a dirigir o país que tem na plataforma de propostas mudar a lei para legalizar o trabalho infantil é uma ameaça. O próximo passo seria utilizar a chibata ou toda a parafernália de tortura tão comuns à época da escravização negra e indígena com a qual o Brasil conviveu por 380 anos.

As regiões Norte e Nordeste concentram o maior número de crianças em trabalho infantil. Dados da Organização Mundial do Trabalho (OIT) estimavam, em 2023, em 1.6 milhão de crianças e adolescentes trabalhadores dos quais 586 mil nas atividades classificadas como perigosas. Em 2016, eram 2.112 milhões; no ano de 2025, projeção da Fundação Abrinq e do IBGE indicava 1.5 milhão dessa população. 

São crianças e adolescentes sem direitos de ser e viver a infância, a adolescência, de estudar, descansar, brincar. As outras crianças e adolescentes, filhas de pais detentores de poder econômico podem viver, de modo protegido, todo o período, algumas delas chegam à juventude sem saber o que é o primeiro emprego, pois, não precisam. No máximo, estudam em cursos moldados à formação de uma elite de comando. 

A luta no Brasil pelo fim do trabalho infantil ganhou expansão nos anos de 1980 a partir do processo de redemocratização do país e permanece ativa. Determinar a quantidade de crianças e adolescentes trabalhadores e em que condições permanece desafiador e exige política pública vigorosa capaz de atravessar e ganhar essência na esfera municipal onde as redes desse trabalho atuam. 

O Brasil que se quer é aquele, resultados das lutas do povo e da reestruturação das instituições na direção de garantir direitos, superar desigualdades, enfrentar a cultura racista e demonstrar em atos concretos que crianças e adolescentes de Norte a Sul podem ter acesso à escola pública de qualidade, à alimentação adequada, ao respeito as suas culturas, às brincadeiras e ao diálogo.

A outra cultura que arrasta à escravização como modo de vida é para ser descontruída, extirpada e com ela seus seguidores. As crianças e os adolescentes do Brasil esperam mais de nós diante das ameaças enraizadas e entranhadas em corpos políticos.

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